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terça-feira, 13 de março de 2012


Campanha presidencial já começou, e sinal de alerta está aceso no PT

A antecipação da campanha eleitoral com vistas à sucessão presidencial em 2014 já começou e fez o sinal amarelo acender no PT. A atual crise na base de sustentação do governo é o mais recente capítulo em um processo de desgaste político que se desenrola desde o primeiro mandado de Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, com a confirmação de que José Serra (PSDB) será candidato à prefeitura de São Paulo, o PT vê-se em situação difícil em dois dos principais centros políticos do Brasil - São Paulo e Minas Gerais.
A crise petista começou em 2005, durante o primeiro governo Lula. As alianças com grandes caciques da política nacional, costuradas pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu durante a campanha eleitoral de 2002, garantiram estabilidade ao governo durante a primeira metade do mandato, mas, em 2005, o partido foi denunciado por um conhecido fisiologista da política brasileira, com apoio da imprensa considerada reacionária, no famigerado escândalo do Mensalão. Como consequência, ao fim do primeiro mandato do então presidente Lula, os dois maiores centros políticos do Brasil - um de votos e o outro de sabedoria política - elegeram Geraldo Alckmin e Alberto Anastasia como seus governadores. A popularidade de Lula propiciou, mesmo assim, sua reeleição, e ainda sobrou fôlego para que o líder petista fizesse sua sucessora, Dilnma Rousseff. Mas, passada a era Lula, as perspectivas são as de que o PT terá, em 2014, grandes dificuldades para se reafirmar.
Hoje, o Brasil assiste uma tentativa de desestabilização política do poder, quando o governo perde uma indicação para um posto de segundo escalão, cede após ser pressionado por lideranças religiosas e também sofre pressões do monopólio ruralista, a ponto de quase dobrar-se a seus representantes. Os petistas envolvidos no mensalão serão julgados pelo STF nos próximos meses. Os ministros do Supremo vão julgar um processo elaborado pelo procurador-geral da União, um funcionário do governo, que, sem sinônimos, classificou alguns dos mensaleiros como criminosos. 
Aliás, o Supremo Tribunal Federal também deve e sente abalado, já que o relatório julgado sequer foi elaborado pela oposição. O relatório, por sinal, atendeu aos anseios da opinião pública, e da imprensa, notoriamente, de oposição. 
Por conta de seu enorme carisma, Lula conseguiu não só se reeleger no pleito de 2006, como também foi capaz de ser o cabo eleitoral de Dilma Rousseff em 2010. Ainda assim, em dado momento o PT viu a tarefa de eleger a então ministra da Casa Civil se complicar, com o crescimento da candidatura tucana. Foi preciso uma reunião com as mais fortes lideranças da esquerda no Rio de Janeiro, ressonância do Brasil, para reanimar a militância jovem e reverter o cenário. A atuação de líderes como Leonardo Boff, Oscar Neimeyer, Vladimir Palmeira, Chico Buarque e Paulo Betti foi essencial nesse processo.
Hoje, contudo, a militância jovem que deu suporte ao PT foi arregimentados sob o comando de Milton Temer, entre outras figuras notórias da esquerda, para o Psol.
Pesquisas de opinião mostram que o governo Dilma vem mantendo sua popularidade muito mais por conta da "faxina" realizada após escândalos de desvios do que por resultados no desenvolvimento ou na economia: na verdade, o país vai crescer menos, e o nível de crescimento do emprego não para de cair.
Por conta de todo esse quadro, as eleições municipais de São Paulo são o estopim do processo de sucessão presidencial. Com a clara divisão no PT e a absoluta falta de apoio por parte da militância ao nome de Haddad, a possibilidade do PSDB vencer com esmagadora maioria, dois anos antes das eleições presidenciais, transformam José Serra em um forte candidato à Presidência. 
Acreditar que o cidadão paulistano não irá preferir ver seu prefeito na Presidência do que no cargo é um raciocínio que beira à ingenuidade. Em contrapartida, a falta de um candidato que possa substituir o eficiente governador Anastasia em Minas, que não pode mais se reeleger, possivelmente irá fazer com que o senador Aécio Neves faça uma reflexão. 
A presença de candidatos fortes do PSDB nestes dois estados e o confronto de peemedebistas do Norte e Nordeste com o PT acrescentam ainda mais variáveis desfavoráveis aos projetos de manutenção de Dilma Rousseff no poder. Nem mesmo a condução de um lulista como líder do governo na Câmara ou a escolha de um peemedebista moderno para a liderança do governo no Senado alteram o cenário: ou o PT se reorganiza para reeleger a presidente, ou clama por Lula em 2014.


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